Cinco armadilhas do amor




Armadilha 1: O amor é cego
Reconhecer que o companheiro também é de "carne e osso" pode ser altamente frustrante, daí a cegueira. "O amor é cego para que não vejamos no outro o que não nos interessa", explica Sócrates Nolasco psicanalista e professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).  "Os parceiros teimam em não enxergar algumas características negativas do outro, ou a encontrar desculpas para explicar as falhas" diz Lidia Rosenberg Aratangy, psicóloga e terapeuta de casais e família.

Como sair? Saiba ver (olhos bem abertos) as qualidades do parceiro, mas também os seus defeitos.

Armadilha 2: "Com jeitinho eu mudo ele"
Caímos nessa armadilha quando acreditamos ter o poder e a capacidade de mudar o outro. "Isso pode gerar uma onda de manipulação e controle para que tudo saia como se estabeleceu em um script. Todavia, uma relação não tem script porque ela acontece entre dois diferentes, que constroem, dia a dia, o que o casal considera relevante e valioso para ambos", explica Nolasco.

Como sair? É preciso um pouco de humildade. "Reconhecendo que o outro não é feito sob medida para agradar e que as pessoas só mudam quando a própria pessoa está incomodada com aquele comportamento", aconselha Lídia. O melhor é abrir mão dessa relação em favor de um futuro mais feliz, quem sabe com outra pessoa compatível.

Armadilha 3: "Adivinho seus desejos"
Armadilha muito comum quando o nível de intimidade do casal parece ser muito grande. "Adivinhar os desejos do outro é querer antecipar-se às insatisfações vividas por ele, livrá-lo delas. Como se o outro, sem seu próprio mal-estar, se tornasse um eterno devedor apaixonado", ressaltou Sócrates.

Como sair? Comunicar-se mais com seu companheiro ao invés de adivinhar o que ele está a pensar. "É aprender a perguntar e a respeitar a resposta", diz Rosenberg.

Armadilha 4: "Agora somos um só"
"A tentativa de ser um só com o outro aparece quando fracassamos nesta empreitada com nós mesmos" Diz Sócrates Geralmente, caímos nessa armadilha em momentos de insegurança: "Acontece quando a gente morre de medo das diferenças e tenta congelar o vínculo e o parceiro numa imobilidade incompatível com a vida", situa Lídia Rosenberg.

Como sair? "Se o que procuramos em uma relação é ser um só, não seremos nada", frisa o psicanalista.

Armadilha 5: "Eu amo o suficiente por nós dois"
"É quando se deixa tomar pela onipotência e pela cegueira, que leva a negar a existência do outro, com seus desejos e escolhas", diz Lídia. Nolasco frisa que "Amar por dois significa não amar ninguém, pois quando se ama suporta-se a desigualdade de sentimentos, sejam eles quais forem".

Como sair? "É preciso recobrar o amor-próprio e levantar a cabeça. Também é preciso sempre lembrar que uma relação amorosa é movida pelos desejos e interesses de duas pessoas diferentes. O amor de um pode ser ilimitado, mas não é onipotente."

Nota: Este artigo é uma adaptação de um outro muito mais completo no blog Teoria da Conspiração Amorosa, fiz apenas um apanhado do essencial.

Comentários